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Marketing de Redes Sociais para Cabeleireiros: guia real

· 6min de leitura · pela equipa ciaopost

Um salão tem uma vantagem que nenhum outro negócio local tem — e quase todos jogam fora:

A sua cliente fica sentada diante do espelho, encantada, quarenta minutos seguidos — e você tem uma relação com ela.

Um café tem onze segundos com alguém olhando para o celular. Uma oficina tem um cliente que quer ir embora. Você tem uma mulher que passou a tarde inteira conversando com você e agora está visivelmente satisfeita com o que vê.

Essa é a melhor posição para colher depoimentos em todo o comércio local, e acontece seis vezes por dia.

Tudo o que vem a seguir parte disso. Você não precisa de uma estratégia de conteúdo. Precisa parar de desperdiçar o espelho.

O momento do espelho é tudo

Você já faz isso. Gira a cadeira, levanta o espelho de mão e pergunta: “o que achou?”

Essa pergunta é impossível de pular. É assim que o atendimento termina, sempre. E é exatamente nesse momento que ela olha para o resultado, está contente e prestes a dizer algo simpático.

É aí — o celular, na sua mão: “Posso te pedir um favor? Trinta segundos — diga o que achou.”

Essa é a rotina inteira, e ela sobrevive a um sábado cheio porque não é uma tarefa separada. Está colada a um passo que você não pode pular, que é o único tipo de hábito que dura além da segunda semana.

A imagem: a nuca

A coisa mais útil que um salão tem, e resolve o problema com que todos os outros negócios se debatem.

A maioria das pessoas se recusa a ser filmada porque não quer se ver. Então não as filme. Fique atrás dela, segure o celular por cima do ombro e grave a cor — por trás — enquanto ela fala.

A voz dela. As palavras dela. A opinião dela. E não o rosto dela.

Ela não está na câmera; está apenas falando, coisa que vem fazendo a tarde toda. Enquanto isso, quem assiste recebe as duas coisas que realmente quer: o elogio e o cabelo, nos mesmos três segundos.

Zero constrangimento, zero questão de privacidade e a imagem mais bonita do salão. Foto mais voz não é o prêmio de consolação para a cliente tímida. Num salão, é o padrão.

Pergunte pelo medo, não pelo resultado

Ela vai dizer “ficou lindo, obrigada” se você perguntar o que achou. Isso é um elogio, e você já tem elogios demais.

Em vez disso, pergunte: “O que te preocupava antes de vir?”

Agora ela diz aquilo que de fato traz desconhecidas: “Sinceramente? Eu estava convencida de que ia sair escuro demais. Quase cancelei.”

Toda mulher que olha o seu perfil tem uma versão desse medo. Curto demais. Escuro demais. Ela não vai me ouvir. Vou sair com algo que não pedi. Uma avaliação de cinco estrelas não toca em nada disso. Uma mulher que teve exatamente o mesmo medo, e diz que não aconteceu, remove aquilo que estava travando a decisão.

Essa pergunta vale mais do que qualquer outro conselho desta página.

A foto do antes que você esquece

Quatro segundos, antes de começar.

Ela acabou de se sentar e está dizendo o que odeia na raiz. Tire a foto. Você não vai usar a maioria delas, e no dia em que a transformação for espetacular vai ficar muito feliz por ter uma.

Depois tire o depois do mesmo ponto, na mesma luz — e não faça o antes parecer pior do que era. Se a transformação é real, não precisa de ajuda.

O depois sozinho é uma foto bonita. O par é prova, e prova é o que convence a mulher que se pergunta se você consegue resolver o que ela tem.

O que publicar quando acha que não tem nada

Você tem de sobra. Aconteceu esta manhã:

  • Uma cliente, trinta segundos, no espelho. A melhor publicação que você vai fazer.
  • A cor, por trás. Você ia fotografar de qualquer jeito.
  • Um sábado genuinamente lotado. Real, não montado.
  • A notícia de verdade. Fechado na segunda. Preços novos a partir de outubro. Alguém entrou na equipe.

Isso é quinze dias de publicações e nada disso exigiu uma ideia. Um salão não tem um problema de conteúdo — tem um problema de captura, e o conteúdo cai da captura.

O que você não publica: fotos de banco de imagens com modelos de cabelo impossível (todo salão do país já publicou a mesma), cartões de frase e “clima de outono 🍂”.

O desconto e a linha que não pode cruzar

Você pode recompensar um depoimento — conteúdo que ela te dá, com consentimento assinado, que você publica nos seus próprios canais. Digamos, 10% por um áudio, 20% por um vídeo. Isso é comércio comum e funciona.

Você nunca pode pagar por uma avaliação. Nem com desconto, nem com um tratamento grátis. A política do Google proíbe conteúdo “publicado por causa de um incentivo oferecido por um negócio — como pagamento, descontos, produtos e/ou serviços grátis”, e um adesivo na sua vitrine oferecendo desconto por cinco estrelas é uma confissão impressa.

Dois objetos diferentes, dois conjuntos de regras diferentes. Acerte neste ponto — é a única coisa desta página que pode te custar o seu perfil no Google.

Nunca diga a ela o que dizer

A tentação mais forte na cadeira, porque você sabe exatamente qual frase seria perfeita.

“Só diga que a cor ficou ótima e que você nos recomendaria.” Agora é a sua frase na boca dela, e todo mundo percebe: a entrega sem vida, a ênfase levemente errada, o olhar para você no meio da frase em busca de aprovação. Você produziu um anúncio com uma atriz amadora.

Se ela travar, faça uma pergunta, não dite uma frase. Uma pergunta devolve as palavras dela; um roteiro devolve as suas.

E deixe a bagunça. O “ãh”, o começo falso, a frase que ela abandona no meio — é isso que faz uma desconhecida acreditar que havia uma cliente de verdade naquela cadeira. As palavras dela saem exatamente como ela disse, legendas incluídas. Um depoimento que se lê melhor do que a cliente fala é um depoimento falso.

E quando ela diz não

Ela vai, às vezes. Diga “claro, sem problema”, abaixe o celular e siga em frente. Quatro segundos, e nada se estraga.

Esse não não é uma falha. É o sistema funcionando: a cliente que não está realmente feliz não grava. Ela diz que está com pressa, sorri, vai embora — e o depoimento ruim nunca é feito. Não moderado, não apagado: nunca feito.

É exatamente por isso que você nunca insiste. Pressione uma cliente hesitante e você fabricou os trinta segundos mornos e complacentes que o filtro existia para barrar — e está prestes a publicá-los com o seu próprio nome.

Dois por semana, no espelho

Não monte uma estratégia. Não defina uma meta. Peça à cliente que está visivelmente encantada, no espelho, antes de ela pagar — e marque-a quando publicar, porque é isso que coloca você diante de trezentas pessoas que de fato a conhecem.

Dois por semana, para sempre, e o seu perfil vai superar todos os salões da sua rua.

A versão diária disso — como transformar em rotina em vez de decisão — é a próxima leitura.

Experimenta com o teu próximo cliente.
Uma pergunta, sessenta segundos, publicado.
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