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Perguntas Que Fazem o Cliente Falar à Câmara Sem Guião

· 7min de leitura · pela equipa ciaopost

Ele disse que sim, você carregou em gravar, e a cara dele ficou em branco. Faça uma destas quatro perguntas e depois fique calado:

  1. “O que te trouxe cá hoje?”
  2. “O que te preocupava antes de vires?”
  3. “O que dirias a um amigo sobre isto?”
  4. “O que te surpreendeu?”

Nunca salve um cliente paralisado com uma frase para ele repetir. Uma pergunta devolve a resposta dele; um guião devolve as suas próprias palavras na boca de um estranho. “Diz que a cor ficou ótima” produz alguém a recitar, e toda a gente que vê percebe — a entrega neutra, a ênfase ligeiramente errada, o pequeno olhar de aprovação a meio da frase.

Porque “diz alguma coisa sobre nós” é um pedido impossível

A cara em branco não é o cliente a fazer-se difícil. É uma reação perfeitamente razoável a uma tarefa impossível.

“Diz alguma coisa” não tem forma. Não tem início, não tem duração, e não tem critério para saber quando termina. Pior ainda, pede ao cliente que adivinhe o que você quer ouvir e depois o entregue, o que transforma um momento simpático num pequeno exame que pode reprovar. As pessoas bloqueiam em exames.

Uma pergunta faz o oposto. Tem uma primeira palavra óbvia, um fim óbvio, e uma resposta certa que o cliente já sabe, porque é sobre ele próprio. Nunca ninguém bloqueou ao ser perguntado o que o trouxe ali.

Por isso, o trabalho de quem segura o telemóvel não é encorajar. É fazer algo a que se possa responder e depois sair do caminho.

As quatro perguntas, e o que cada uma revela

“O que te trouxe cá hoje?” — A abertura segura. Produz um facto, e um facto é fácil de dizer, por isso o cliente começa a falar sem se aperceber que já começou. Os melhores depoimentos costumam começar com uma frase aborrecida.

“O que te preocupava antes de vires?” — A pergunta mais forte desta lista. Leva o cliente a nomear a objeção que quem está a assistir também tem. Uma mulher a dizer “tive medo que ficasse curto demais, sinceramente” está a fazer algo que nenhuma legenda sua conseguiria: está a falar diretamente com a próxima pessoa que tem medo de ficar curto demais. Um depoimento que resolve um receio vale mais do que um que atribui um elogio.

“O que dirias a um amigo sobre isto?” — Funciona porque reformula o público. O cliente deixa de atuar para uma câmara e passa a falar com uma pessoa, e o tom cai imediatamente para algo natural.

“O que te surpreendeu?” — Produz o pormenor específico e irrepetível. A surpresa é onde está o conteúdo verdadeiro — o preço, a rapidez, o café, o facto de se ter lembrado do nome do filho dele. São os pormenores que fazem um estranho acreditar em tudo o resto.

A pergunta seguinte que traz a melhor frase

Ele termina. Olha para si. Há uma pequena pausa, e parece o fim.

Normalmente não é. Não diga nada durante mais dois segundos. A maioria das pessoas, perante o silêncio, acrescenta mais qualquer coisa — e essa última frase espontânea é, muitas vezes, a melhor de toda a gravação, porque a pessoa já parou de atuar e começou apenas a falar.

Se quiser um pequeno empurrão, use o mais pequeno que existe: “Mais alguma coisa?” Duas palavras, sem conteúdo, sem direção. Devolve a palavra sem a conduzir.

Não preencha o silêncio você próprio. O instinto de qualquer dono de negócio é dizer “ótimo, perfeito, obrigado!” no momento em que o cliente para, e isso corta sempre a melhor parte no final.

Adaptar as perguntas ao seu negócio

As quatro perguntas sobrevivem à tradução para qualquer negócio. Os substantivos mudam; a estrutura não.

NegócioA pergunta do receio, nas suas palavras
Cabeleireiro”O que te deixou nervosa com a cor?”
Clínica dentária”O que temias em vir cá?”
Oficina”Quanto pensavas que ia custar?”
Restaurante”O que te fez escolher este sítio esta noite?”
Ginásio”O que achavas que ia ser a parte mais difícil?”

Repare que nenhuma delas fala de si. Todas as perguntas são sobre a experiência do cliente, e o elogio surge como consequência — e é exatamente por isso que soa verdadeiro quando acontece.

As perguntas que nunca deve fazer

“Recomendas-nos, certo?” — Isto não é uma pergunta. É uma frase com um ponto de interrogação, e a única resposta possível é sim. O que obtém é uma pessoa a concordar consigo, à câmara, o que não convence ninguém.

“Podes dizer como fomos rápidos?” — Agora já especificou o conteúdo. O que sair é a sua mensagem, entregue por outra pessoa, e vai soar a publicidade porque é publicidade.

“Podes repetir, mas dizer de forma mais clara?” — Assim que começa a dirigir as tomadas, deixa de recolher e passa a produzir. O falso arranque, o “hã”, a frase que a pessoa abandona a meio: é isso que dá credibilidade. Essas imperfeições são a razão pela qual um estranho acredita que ali esteve mesmo um cliente real.

As palavras do cliente saem exatamente como foram ditas — sem arrumar, sem cortar, sem melhorar, nem nas legendas. Um depoimento que soa melhor do que o cliente fala é falso, e falha na única tarefa que tinha.

Como soa uma gravação na prática

Imagine uma pequena florista. Uma mulher entrou para levantar um ramo para o aniversário da mãe e disse que sim a um pequeno vídeo. A dona levanta o telemóvel e faz a pergunta segura: “O que te trouxe cá hoje?” — “Flores para a minha mãe, ela faz setenta anos.” Um facto, fácil, ela já está a falar.

Depois a pergunta do receio: “O que te deixou nervosa?” — “Sinceramente? Deixei para muito tarde e pensei que ia ficar com o que sobrasse no balde.” Uma pausa. “Mas vocês perguntaram mesmo do que ela gosta, e ninguém faz isso.” Essa é a frase. Ninguém a escreveu e ninguém a poderia ter escrito. A dona fica calada. Dois segundos. “E cheiram tão bem — desculpa, não paro de as cheirar.” Essa é a segunda melhor frase, e só existe porque ninguém disse “ótimo, obrigada” por cima dela.

Repare no que a dona nunca fez. Nunca lhe disse que a loja era simpática. Nunca lhe pediu para mencionar a entrega no mesmo dia. Nunca pediu uma versão mais limpa quando ela disse “sinceramente?” e fez uma pausa. A pausa é a prova. Se sentir vontade de arrumar esse trecho depois, não o faça — um guião devolve-lhe as suas próprias palavras, uma pergunta devolve as dela.

E se a resposta for só uma palavra?

Às vezes a pergunta do receio traz apenas “Nada, na verdade.” Isso não é um beco sem saída — é um cliente que precisa de mais um degrau para subir. Não repita a pergunta mais alto. Torne-a mais específica. “Nada mesmo? Nem o preço, nem quanto tempo ia demorar?” Nomear um receio concreto dá-lhe algo com que concordar ou discordar, e discordar é falar: “Bem — o preço, um bocadinho, mas foi menos do que eu pensava.”

Uma resposta de uma palavra é normalmente timidez, não falta de coisas para dizer. Um cliente que genuinamente não tivesse nada a partilhar não teria aceitado à partida — o sim já é o filtro a fazer o seu trabalho, por isso o material está algures ali dentro. Fazer um cliente tímido falar à câmara é um problema conhecido com soluções conhecidas, e a pergunta mais específica é a primeira delas.

Pergunte, depois fique calado

É essa a técnica toda. Uma pergunta, depois silêncio, depois mais dois segundos de silêncio.

Experimente primeiro a pergunta do receio — “o que te preocupava antes de vires?” É a que mais fiavelmente transforma um cliente nervoso em alguém a falar naturalmente, e é a que produz a frase que o seu próximo cliente mais precisa de ouvir.

Se a dificuldade for com a câmara e não com as palavras, esse é um problema diferente, e tornar um cliente confortável à frente de um telemóvel é onde isso se resolve.

Experimenta com o teu próximo cliente.
Uma pergunta, sessenta segundos, publicado.
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